os rins cansados do poema
Encosto o espanto à vidaperfilo em riste o asco
magoanino-me em salto mortal
quando em mais este dia perfumado à la Polana
longe dos Chamanculos e dos T3s desavergonhados
vejo quanto a pobreza
dá origem a tantos relatórios formato executivo
a tantas consultorias banco mundializadas
a tantos seminários finos workshopados
a tanta fartura de hóteis de luxo
a tanta refeição de prazer filet mignon
Assim é: a pobreza torna-se estética fmi-zada
quando cansaço e futuro
são os calos da preversidade.
Quem disse que os grãos do milho
são para serem analisados em rodapé de tese?
Quem disse que os rins cansados do poema
merecem as chagas da merda terceiro-mundana?




2 Comments:
Meu Poeta
Já não mais tenho espanto
com a fotografia
deste mundo animal
os ratos passeiam soltos
comendo os mais caros e variados
queijos e queijos
enquanto no Zoo
multidões de famintos estão presos
em grades de arame cru
esperando...
restos do coffee-break apodrecido
"deixado" pelas águias
do seminário de ontem.
O que foi discutido?
O que foi analisado?
O que foi...
E a conclusão?
Bah! Qual conclusão?
Olha à tua volta
tudo foi "tramado"
em calada de noite
em salas trancada, zipada pela força do..de..do que mesmo?
em transparente covardia
a lei do quero mais
poder, luxo, mordomia
sempre é todo dia
rins cansado de poesia
não merece chagas
Merda mesmo só para o povo
ou será o contrário?
povo mesmo para merda?
Tão verdadeiro, mas tão pouco agradável de se lembrar, viver dentro de uma concha dourada torna tudo mais fácil.
Tão duro.
Tão triste.
Bjs meus
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